Agricultura Familiar


No Brasil, a agricultura familiar ocupa 24,3% (80,25 milhões de hectares) da área agropecuária, de acordo com o Censo Agropecuário de 2006. Mesmo assim, esta faixa de terra acolhe 84,4% estabelecimentos de agricultura familiar. Isto representa 4,3 milhões de estabelecimentos.
No Ceará, 44% dos estabelecimentos agropecuários pertence à agricultura familiar, o que representa 3,49milhões de hectares. Embora ocupe uma área menor, a agricultura familiar é pródiga na ocupação de mão-de-obra. Havia 896.238 pessoas de 14 anos ou mais ocupadas em agricultura familiar.
Na primeira fase do projeto foi aplicado um formulário com 104 perguntas aos agricultores. Baseado em 410 questionários respondidos, sendo 157 no distrito de Jordão, 135 no distrito de Jaibaras e 118 em comunidades rurais na própria sede do Município de Sobral. O perfil dos respondentes mostra que 36% deles são analfabetos e 19,5% são apenas alfabetizados, o que é um contraste com os índices educacionais para o município de Sobral como um todo, cuja taxa de analfabetismo funcional em 2010 (para pessoas com 15 anos ou mais) é de apenas 17%. Somente 46 respondentes (11,2%) possuem ensino médio incompleto ou completo.
A boa notícia é que a estrutura fundiária que aponta que quase 77% dos agricultores familiares são donos de suas próprias terras. Pouco de 13% trabalham em terras arrendadas e 6% dos imóveis são cedidos aos trabalhadores.
Em relação aos benefícios como seguro safra, bolsa família e crédito rural, cerca de 32% afirma não receber qualquer benefício. O Bolsa Família ainda é o benefício mais citado entre os respondentes, 27,8% deles diz receber o auxílio do Governo. Em compensação, o crédito rural é a modalidade menos utilizada, a qual apenas oito agricultores afirmam utilizá-lo (0,02%).
Os agricultores familiares apresentam uma taxa de participação em entidades de classe que pode ser considerada expressiva, embora 24% ainda não participe de sindicatos, associações, conselhos ou cooperativas. Mais de 75% dos respondentes afirma fazer parte de um sindicato e/ou associação.
Em relação à produção agrícola, o perfil mostra pouca diversificação no plantio, com milho e feijão sendo as culturas mais plantadas (99%). Apesar disso, há uma expressiva plantação de frutas, quase 30% afirma plantar melancia, banana, côco, mamão etc. A plantação de hortaliças ainda é tímida (17%), mas é maior que a de mandioca (16%).
A relação com o meio ambiente ainda não é harmônica. Mesmo cientes dos perigos de usar agrotóxicos na plantação (o que eles chamam de veneno), cerca de 23% dos agricultores familiares fazem uso do produto. As palestras têm abordado este tema e têm mostrado que há defensivos naturais que afastam as pragas da lavoura.
As queimadas são outro capítulo nesta questão ambiental. Apenas 37% afirmam não realizar queimadas no processo de plantio. Entre os agricultores que tocam fogo no solo, um total de 35% o faz para semear a terra e 18,3% para limpar o terreno. Muitas famílias também tocam fogo no lixo produzido em casa, uma vez que em 67,5% dos domicílios não há coleta de lixo.
O questionário também faz duas perguntas ligadas à auto-estima do agricultor. Muito embora 395 deles tenham respondido que gostam de ser agricultores (96,3%), cerca de 41% destes não gostaria que seu filho seguisse a mesma profissão. Isto aponta para uma falta de perspectiva da atividade econômica no município de Sobral. 

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