O Projeto Agricultura Familiar Sustentável realizou um dia de campo no Sítio Santo Elias, localizado na Serra da Meruoca, no último sábado (19/05). Os membros de seis comunidades que estão envolvidas no projeto puderam conhecer a vivência de agricultores da Meruoca, que há mais de oito anos trabalham com o sistema agroflorestal.
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Seu Sebastião defendeu o sistema agroflorestal
Foto: Rosane Nunes |
A caminhada, que durou uma manhã, começou cedinho. Ao chegar, agricultores das comunidades de São Domingos, Santo Antônio, Pé de Serra do Cedro, Cedro, Salgados Machados e São Francisco foram recebidos pelo agricultor e proprietário do sítio, Sebastião Barbosa Silva, que falou um pouco da experiência dele no sistema agroflorestal.
Durante toda a manhã, os participantes conheceram técnicas aplicadas no Sítio Santo Elias e, mais do que escutar, os agricultores puderam observar como funciona todo o manejo da plantação de hortaliças, frutas, café etc produzidos no local.
No primeiro momento, foi discutida a importância de não fazer queimadas, prática ainda muito utilizada por agricultores como forma de "preparar" o solo para a plantação. Em meio a mudas de café e pimenta, os agricultores puderam conversar e tirar suas dúvidas sobre as espécies que podem ser cultivadas na sombra, em meio a floresta. Na ocasião, seu Sebastião conta que, quando começou a trabalhar dessa forma, no ano seguinte já pôde notar a diferença. Ele diz se arrepender do tempo que fazia queimadas.
Um dos agricultores que se mostrou bastante interessado na plantação de café foi Francisco José Couto Campelo, 55, da Comunidade São Francisco, no distrito de Jordão,em Sobral. Há 26 anos na agricultura familiar, ele afirma que está aprendendo cada vez mais. "Eu estou em busca disso. É procurar saber mais, o máximo mesmo". Ele, que fornece alimentos para o PAA, Programa de Aquisição de Alimentos, relatou que já não faz mais queimadas em sua plantação e que já ensina isso para os filhos e netos.
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Seu Francisco: "é preciso procurar saber mais".
Foto: Rosane Nunes
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Continuando a caminhada, a segunda parada foi feita embaixo de uma mangueira, onde se conversou sobre os princípios que regem a natureza, dentre eles o ciclo da água. Para que este ciclo aconteça é preciso se preservar as árvores, a vegetação. Deixar que as folhas mortas que caem das árvores permaneçam ali, protegendo o solo e preservando a umidade do ambiente.
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Adriel Nascimento elogiou técnicas de manejo do solo.
Foto: Rosane Nunes |
Esse assunto chamou a atenção do jovem Adriel do Nascimento Bispo, de 16 anos que trabalha com a família na Comunidade São Domingos. "Eu achei interessante as folhas que precisam ficar no solo. Lá, nós capinamos. Tiramos as folhas, os matos e jogamos fora. Quando eu chegar lá em casa, nós vamos é cultivar. Capinar mas deixar lá pra quando a água vier já ficar ali. Lá é muito quente e seco. Já é uma experiência nova que eu aprendi".
Outro tema abordado foi o sistema agroflorestal e o uso de agentes orgânicos na produção e no trato da plantação, ao invés da utilização de adubos e defensivos químicos. A proposta é que tudo o que a terra precisa a natureza oferece para ser utilizado. Uma das características do sistema agroflorestal é a manutenção da biodiversidade, que permite diversificar a produção. No Sítio Santo Elias, cultivam-se várias frutas, como goiaba, manga, banana, tangerina etc. Essas frutas não nascem na mesma época, logo, ao longo de todo o ano, o seu Sebastião terá produção e consequentemente renda.
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Dona Rosália destacou o papel da mulher no campo.
Foto: Rosane Nunes
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Única representante feminina do grupo, Rosália Regina da Silva, 41, participou da visita. Além de fazer parte do Conselho Fiscal da Associação Comunitária do Sítio Santo Antônio, no distrito de Jordão, em Sobral, ela é esposa do presidente da Associação (seu Chichico) e fala da importância da contribuição da mulher no campo. "É preciso quebrar o preconceito. A mulher pode estar junto do marido no campo. Ela deve lutar pelos seus direitos". Dona Rosália, que acompanha o esposo na lida, colhendo milho e cuidando dos animais, afirma que vai levar para sua comunidade tudo que aprendeu no dia do campo. "Tirei muitas dúvidas sobre o plantio de frutas e hortaliças e sei que agora não devemos fazer queimadas, que devemos preservar as folhas, a vegetação".
Ao final da caminhada, os agricultores se reuniram para desfrutar de um lanche servido só com os alimentos orgânicos produzidos pelo sítio. Eles ainda puderam conhecer a pequena produção de polpa de frutas do seu Francisco e a mandala com a criação de galinha caipira. O projeto Agricultura Familiar Sustentável pretende realizar um novo dia de campo, desta vez, com as outras seis comunidades que não puderam participar desse momento, que contou também com o apoio fundamental da ONG Instituto de Ecologia Social Carnaúba.